Salles diz que pandemia é oportunidade para aprovar "baciada" de simplificações ambientais

Ministro do Meio Ambiente cita "tranquilidade que a imprensa nos dá" com a cobertura focada no coronavírus

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, diz que o governo e ministérios deveriam aproveitar a pandemia do coronavirus para aprovar uma "baciada" de reformas, desregulamentações e simplificações em leis ambientais.

A fala do ministro foi feita durante a reunião ministerial de Jair Bolsonaro, que é investigada pelo STF no inquérito que apura suposta interferência do presidente na Polícia Federal.

"É uma possibilidade nesse momento que a atenção está voltada exclusivamente para a covid e não para a Amazônia", afirmou. "É passar reformas infralegais, desregulamentações e simplificações", que, normalmente, "são difíceis de passar".

"Porque tudo o que a gente faz, é pau no judiciário no dia seguinte", acrescentou.

"É preciso um esforço nosso aqui, enquanto estamos em um momento de tranquilidade de cobertura da imprensa que só fala de covid, e ir 'passando a boiada'". Mudando todo o regramento, simplificando normais do Ministério da Agricultura e Meio Ambiente."

"Agora é hora de unir esforços para dar de 'baciada' a simplificação regulatória que precisamos", completou.

Salles pediu ainda que a Advocacia da União fique de prontidão. "Pau vai ter. Essa semana mesmo, assinamos medidas a pedido da Agricultura para simplificar a lei da Mata Atlântica para usar o código florestal e hoje já tem jornal dizendo que vão entrar com ações judiciais contra a medida. Precisamos da artilharia da AGU preparada para cada linha que avançamos", pontuou.

O ministro falou ainda que a atenção deve ser dada a matérias que não precisam do Congresso. "O que precisarmos de apoio do Congresso, não vamos conseguir aprovar".

Reunião de 22 de abril

A reunião de Bolsonaro com ministros em 22 de abril faz parte de um inquérito aberto no STF para apurar as declarações de Sergio Moro no dia em que pediu demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O vídeo liberado pelo ministro Celso de Mello é considerado uma das principais provas para sustentar a acusação feita por Moro de que o presidente tentou interferir no comando da PF e na superintendência do órgão no Rio, fatos esses investigados no inquérito relatado pelo decano do STF.

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