"Qual parte do vídeo contém comprovação de interferência?", reage Bolsonaro

Presidente disse que registro de reunião não tem nada "é um tiro de festim"; ele também lamentou o "fim melancólico" de Moro e falou que não dava para colocar um "delegado do Psol" na PF

Jair Bolsonaro reagiu à divulgação do vídeo da reunião ministerial nesta sexta-feira, 22, e negou que o conteúdo inclua informações de uma tentativa de interferência na Polícia Federal.

"Qual parte do vídeo contém a mínima comprovação de que houve interferência minha na superintendência do Rio de em qualquer outro Estado ou diretoria-geral da PF? Zero, não tem nada. Isso é um tiro na água, se quer um tiro de festim".

O presidente ainda lamentou o que chamou de "fim melancólico" do ex-ministro Sergio Moro. "Lamento o seu Sergio Moro, que tem história, no passado ajudou muito a fazer Justiça no Brasil, ter um fim melancólico desse".

Ele também voltou a afirmar que o ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo ligou para ele e confirmou que ele deixaria o cargo "a pedido", e que o nome de Moro na exoneração é algo de praxe.

Por fim, disse que é natural ele querer alguém da Polícia Federal que tenha afinidade com ele. "Querem que eu coloque alguém como um delegado do Psol?", questionou.

"Ninguém vai pegar o meu telefone"

Bolsonaro comentou ainda o pedido do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, para apreensão do celular dele e de seu filho Carlos Bolsonaro para perícia.

"Me desculpe senhores ministros do Supremo Tribunal Federal, mas me parece que o que o Celso de Mello quer é que fique cozinhando agora lá a entrega do meu telefone. Ninguém vai pegar o meu telefone", declarou.

Celso de Mello é relator do inquérito proposto pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, que investiga os fatos narrados pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

"Vou interferir e ponto final", disse Bolsonaro na reunião

Bolsonaro cita, por diversas vezes, o verbo interferir em frases relacionadas a Polícia Federal no registro da reunião.

"Eu tenho uma PF que não me dá informação", reclamou. "É uma vergonha! Eu não sou informado e não dá para trabalhar assim. Fica difícil, por isso, vou interferir e ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade".

O presidente disse ainda que não ia esperar sua família ser atingida para agir.

"É a p... o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar f... a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui para brincadeira”, disse o presidente.

Esse é o trecho considerado crucial para o inquérito envolvendo a possível interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

Reunião de 22 de abril

A reunião de Bolsonaro com ministros em 22 de abril faz parte de um inquérito aberto no STF para apurar as declarações de Sergio Moro no dia em que pediu demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O vídeo liberado pelo ministro Celso de Mello é considerado uma das principais provas para sustentar a acusação feita por Moro de que o presidente tentou interferir no comando da PF e na superintendência do órgão no Rio, fatos esses investigados no inquérito relatado pelo decano do STF.

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