"Auxílio como o de R$ 600 é impossível manter", diz Rodrigo Maia

Em entrevista a José Luiz Datena, na Rádio Bandeirantes, presidente da Câmara ainda comentou as MPs do presidente e relação do governo com o Centrão

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que não é possível manter um auxílio de R$ 600 de forma permanente, mas que apoia um programa de renda mínima a partir do ano que vem. Maia foi entrevistado por José Luiz Datena no programa Manhã Bandeirantes, da Rádio Bandeirantes, nesta quinta-feira, 11.

"O auxílio de R$ 600 de forma permanente é impossível. Agora, o programa de renda mínima, usando programas já existentes e tirando recursos mal colocados, tudo bem", afirmou.

"Muitos programas não estão funcionando", acrescentou, sem entrar em detalhes. "Se você juntar todos esses recursos, a partir do ano que vem é possível pensar um programa de renda mínima".

Maia ressaltou ainda que a questão da falta de renda não é o único problema do País. "Outras [soluções para] problemas precisam ser pensados de forma permanente, como o saneamento básico, a melhoria do SUS, da educação; a renda não responde a 100% da falta de condições sociais das camadas mais pobres".

MPs de Bolsonaro

Rodrigo Maia também comentou o método de Jair Bolsonaro de governar através de Medida Provisória, sendo uma das mais recentes a que dá aval para Abraham Weintraub, ministro da Educação, nomear reitores para universidades federais sem consultas técnicas.

"Esse debate pode ser feito, mas não dessa forma. O governo fez uma MP que deveria ser discutida [com o Congresso], mas a pandemia nos limitou e tínhamos outras prioridades", comentou Maia. "O governo editou uma MP de mesmo teor, e uma MP não pode ser reeditada com o mesmo teor no mesmo ano, isso vai gerar um ruído desnecessário. O ideal é que o governo revogasse, para que o Congresso não derrube ou o STF decida sobre o assunto".

Ministério das Comunicações

O presidente da Câmara elogiou, no entanto, o movimento do governo federal de recriar o Ministérios da Comunicação. Maia se mostrou satisfeito com o nome escolhido para comandar a pasta: Fábio Faria, do PSD do Rio Grande do Norte - sigla que integra o Centrão.

"O Fábio é muito querido na Câmara, tem boa capacidade de articulação, boa relação com o setor de comunicações", definiu. "Esse ministério é fundamental, é o setor do futuro e acho que pode ajudar muito na articulação do governo com o parlamento e sociedade civil".

Base governista e relação com Centrão

Por fim, Rodrigo Maia classificou como positiva a aproximação do governo Bolsonaro com partidos do Centrão. "O governo faz bem em ter uma base", resumiu. "Eu sempre digo que o diálogo é o melhor caminho. O governo ter uma relação com partidos que formem sua base e defendam seu projeto é bom para a democracia".

Assista à entrevista:

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