Senadores tentam amenizar projeto de criminalização da homofobia

Evangélicos, CNBB e exército fazem lobby contra a aprovação do projeto

Depois que o projeto de lei para criminalização da homofobia foi retirado da pauta na Comissão de Direitos Humanos do Senado, seguido de bate boca entre parlamentares, senadores de diversos partidos já começaram a se articular para chegar a uma proposta mais consensual para que a PL 122/06 possa ser aprovada.


Em sua coluna na BandNewsFM, Mônica Bergamo conta que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ficou responsável, nos bastidores, por estudar o projeto e tentar fazer um texto alternativo ao que está em pauta. O líder do PT no senado, Humberto Costa, já teria conversado com Demóstenes sobre a importância de se aprovar uma legislação que puna a discriminação aos homossexuais nos moldes das leis que punem os atos de racismo.


Além da pressão do PT, que apoia o projeto, Demóstenes começa a sofrer também a pressão da bancada evangélica, liderada pelo senador Marcelo Crivela (PRB-RJ). Os evangélicos não aceitam a solução dada pela relatora do projeto, a senadora Marta Suplicy (PT-SP), para as críticas feitas pela bancada. Marta colocou uma emenda no texto permitindo que nos cultos façam a pregação contra a homossexualidade aos seus fiéis. Os religiosos não concordaram com a medida e querem manter a liberdade de poderem falar contra a prática homossexual em rádios, TVs e onde mais for possível o exercício da sua liberdade de expressão.

Oposição

Apesar de serem os mais barulhentos, os evangélicos não os únicos opositores do projeto. Há diversos lobbys que se articulam contra a PL 122 em Brasília. Mônica Bergamo conta que soube que cardeais da CNBB procuraram o presidente do senado José Sarney e pediram atenção especial à criminalização da homofobia. Sarney não se manifestou abertamente sobre o projeto, mas procurou, nos bastidores, o senador Marcelo Crivela para passar o recado.

O Exército também procurou Crivela para manifestar os seus temores. Há pouco tempo o exército expulso um casal de sargentos que assumiu o namoro homossexual e não demonstra disposição alguma em aceitar homossexuais assumidos na instituição. De acordo com a colunista, os comandantes do exército  temem que o PL 122 os obriguem a mudar a atual postura, que passaria a ser considerada crime de discriminação. Os comandantes que procuraram o senador Crivela também disseram temer a promiscuidade entre soldados do exército, que passam muito tempo sozinhos em missões em locais isolados.

Compartilhar