Entenda o que faz o ministro da Casa Civil

O ministro-chefe da Casa Civil – cargo ocupado agora pela senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) - equivale a uma espécie de primeiro-ministro, segundo o cientista político e diretor acadêmico da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).

“Ele articula todo o funcionamento interno do governo”, explica o especialista. Segundo Fornazieri, a função tem dois perfis: um mais político e outro de caráter gerencial.

Em relação ao lado político: quando o governo, por exemplo, envia ao Congresso um projeto de lei, é necessária uma articulação, por parte do ministro da Casa Civil, para que esta proposta “caminhe” a favor dos interesses do governo, segundo o professor.

Já a função técnico-gerencial equivale a uma espécie de “diretor-geral”, no qual o ministro administra e acompanha as grandes obras do governo, como o projeto “Minha Casa Minha Vida”, as obras para a Copa do Mundo, entre outros.

Exemplos de ministros

Como exemplo para estes dois perfis, Fornazieri cita ministros do governo Lula: José Dirceu e a atual presidente, Dilma Rousseff. Quando Dirceu estava neste cargo, a função de ministro da Casa Civil tinha um perfil mais político, enquanto na “era Dilma” o posto tinha um caráter técnico-administrativo.

Antonio Palocci vinha exercendo esta dupla função, explica Fornazieri. “Embora estivesse ligado às grandes obras, o fato é que ele tinha participação intensa na agenda política”, explica.

Em relação à nova ministra, o professor a considera uma escolha bem-feita, porque Gleisi reúne estas duas qualidades, a técnica e a política. “Acho que a escolha dela é importante porque aparentemente Dilma começa a dar cara própria ao seu governo.”

Alerta para Dilma

No entanto, Fornazieri alerta que a articulação política anda fraca no governo atual. “Dilma deixou um certo ‘vácuo’ político. Ela tem que ser a figura central da política nacional. Quando ela não faz isso, cria-se um espaço negativo, que pode ser ocupado por outras lideranças e por aí vai. (....) Dilma tem que se alçar ao primeiro plano da política brasileira. Ela tem que dar o tom seja através de atos ou por meio de palavras”.

Segundo ele, se Dilma não ocupar este espaço ele será preenchido por outros fatores não tão favoráveis. “Este vácuo político vai ser ocupado por alguma coisa ou alguém. Pode ser por uma agenda negativa, acasos, confusões ou por outras personalidades, seja do governo ou da oposição”.

A mudança neste cenário depende “fundamentalmente” de Dilma, diz Fornazieri. “Parece que com a 'crise Palocci' ela deu uma despertada”, comentou.

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