DF: ex-senador cassado tem 1.250 imóveis

Entre os 1.250 imóveis do empresário bloqueados desde 2002 e liberados devido a um acordo com a AGU, estão 30 projeções na área central

O mercado imobiliário de Brasília aguarda com avidez a liberação do patrimônio do senador cassado Luiz Estevão. Os 1.250 imóveis que hoje estão penhorados ficam todos no Distrito Federal e, entre eles, há 30 projeções para prédios residenciais em áreas centrais da cidade.


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Localizadas nas Asas Sul e Norte e no Sudoeste, as projeções residenciais são consideradas as ‘joias da coroa’, porque podem gerar negócios de até R$ 6 bilhões, considerando que a comercialização de cada prédio residencial em endereços como os do senador alcança facilmente a cifra de R$ 200 milhões.

 

Crediário

 

A expectativa de Luiz Estevão é de que o patrimônio do Grupo OK comece a ser liberado nos próximos cinco meses, tempo esperado para os trâmites jurídicos de homologação do acordo. Além de pagar R$ 80 milhões à vista, o ex-senador desembolsará 96 parcelas de cerca de R$ 4 milhões (o valor exato não foi divulgado pela AGU), totalizando cerca de R$ 468 milhões.

 

Comemorado pela Advocacia Geral da União como a maior recuperação de dinheiro desviado por corrupção da história do Brasil, o “crediário do TRT” começa a ser cobrado de Luiz Estevão já no final deste mês. O senador cassado considera, entretanto, que a conta não é justa. “Estou pagando por uma dívida que não é minha, é dos donos da Incal”, afirmou, de Londres, onde está visitando uma das filhas. De memória, Estevão lembrou de pelo menos cinco superquadras da Asa Norte e duas da Asa Sul onde tem projeções.

 

Luiz Estevão, o juiz Nicolau dos Santos Neto e os donos da construtora Incal foram condenados pelo Tribunal de Contas da União pelo desvio de R$ 170 milhões - valor estimado nos anos 1990. Com correções, esse rombo alcança R$ 1 bilhão.

 

Conversas

 

O presidente da Ademi (Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário de Brasília), Adalberto Valadão, considera a liberação dos imóveis de Luiz Estevão positiva para a economia do DF. “Qualquer liberação de patrimônio é uma boa notícia porque gera negócios, empregos e impostos.”

 

O presidente da Ademi não quis, entretanto, comentar a movimentação em torno do patrimônio do ex-senador que voltará ao mercado. Outras fontes garantem que os bens que serão liberados são o principal assunto do setor. Além das projeções, há um terreno em disputa com a UnB na quadra 6 do Setor Hoteleiro Norte, estimado em R$ 650 milhões.

 

AGU

 

Antes de que estejam livres para negociação, os imóveis do ex-senador serão avaliados pela Caixa Econômica Federal. Depois dessa avaliação, a AGU manterá ainda sob penhora R$ 1,5 bilhão em imóveis para garantir o pagamento total da dívida. A AGU cobra R$ 1 bilhão do ex-senador.

 

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