Sebastião Melo fala sobre função de vice

Articulador político do prefeito de Porto Alegre, o vice-prefeito eleito defende uma nova relação da prefeitura com a Câmara

Lavrador até os 15 anos, advogado e vereador em terceiro mandato na capital, Sebastião Melo (PMDB), 54 anos, será o vice-prefeito responsável pela articulação da prefeitura com a Câmara Municipal.

 

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Natural de Piracanjuba, no interior de Goiás, Melo quer ampliar a relação com os municípios da região metropolitana e melhorar os serviços oferecidos à população.

 

Com a impossibilidade de José Fortunati (PDT) concorrer a um novo mandato em 2016, Melo já surge como o nome mais forte para a sucessão, embora ainda considere cedo para falar sobre o assunto. Confira entrevista concedida ao Metro:

 

Como será sua atuação como vice de Fortunati?

 

O vice, em primeiro lugar, cumpre uma função institucional. São duas figuras que recebem o voto do povo: o prefeito e o vice-prefeito. Nossa relação não é de subordinação, mas de parceria. Pretendo ser um vice institucional, mas também cumprirei todas as funções delegadas pelo prefeito. A primeira delas, que estou cumprindo nesta transição, é de fazer parte da articulação política na Câmara, sob a liderança do Dib (João Antônio Dib, do PP). Temos um grupo de trabalho formado por mim, pelo secretário Urbano Schmitt e pelo Vieira da Cunha, que está responsável pelas conversações com os partidos para compor o governo. A partir de janeiro, vou responder pela articulação política do governo com a Casa e as demais instituições, sempre sob a orientação do prefeito. Eu e o Fortunati estaremos sempre afinados. Podemos pensar diferente alguma coisa, mas isso é natural na política.

 

De que forma será a articulação com a Câmara?

 

Primeiro temos de ter uma articulação com a base. Todo vereador da base precisa ter uma interação permanente com o Executivo. A partir de janeiro, não pretendemos mandar para a Câmara nenhum projeto de lei sem antes conversar com a base. Hoje não tem sido assim. Nós queremos ouvir a base, pegar sugestões e depois dar toda a assessoria do gabinete do vice- prefeito para que os esclarecimentos sejam feitos. E aí procurarei a oposição também. Será uma constante procurar a oposição, não para cooptar votos, mas para colocar- se à disposição. A oposição tem um papel importante na vida democrática e nós queremos prestar todos os esclarecimentos. Mas não ficará só por aí. Queremos parcerias na compilação de leis. Temos hoje toneladas de leis inúteis na cidade. Nós queremos fazer um trabalho preventivo, em que nosso gabinete, tão logo seja protocolado algum projeto de lei, tenha uma opinião sobre ele. Também daremos prioridade aos pedidos feitos pelos vereadores no fone 156, pois eles pedem em nome da população. Quero ver se a gente acaba com os pedidos de informação impressos. É muito tempo perdido, é ultrapassado.

 

E como será a relação com os municípios da região metropolitana?

 

Todas as políticas públicas se somam e se complementam na região metropolitana. Falando em tratamento de esgoto, por exemplo, Porto Alegre está fazendo em marcha rápida a sua parte, mas se os municípios vizinhos não caminharem na mesma direção, especialmente os que deságuam seus resíduos no Guaíba, evidentemente que isso torna esse tratamento um pouco inócuo. Então, temos de nos organizar em políticas de segurança pública, consórcios devem funcionar porque a bandidagem não para sua atuação na ponte de Canoas, do Guaíba ou de Alvorada. Planejamento urbano também, uma vez que não se mexe no Plano Diretor de uma capital sem audiências públicas na região metropolitana. Uma mudança pode se refletir na outra. Por meio da Granpal (Associação dos Municípios da Grande Porto Alegre), vamos estimular a formação de consórcios de planejamento, transporte, segurança, metrô. Temas comuns precisam ter visões compartilhadas.

 

Voltando à questão do secretariado. Que dificuldades vocês estão enfrentando para chegar aos nomes definitivos?

 

Até o meio desta semana pretendemos apresentar ao prefeito Fortunati um esboço da ocupação dos espaços pelos partidos políticos. Batido o martelo nisso, com os nove partidos que compõem a base, aí caberá a eles fazer as indicações dos nomes, cuja palavra final será do prefeito. Sempre que houver conflito, quem vai arbitrar é o prefeito. Essas definições têm de ser sempre fruto do diálogo, do equilíbrio. Os partidos têm de sair equilibrados nessa composição. O PMDB, o PDT e o PTB têm de ter a mesma força política.

 

Há conversações com outros partidos para integrar a base?

 

Estamos conversando muito adiantadamente com o PSDB, que concorreu com o professor Wambert Di Lorenzo, com o PSB, do Airto Ferronato e do Beto Albuquerque, também com o PSD, o partido do Nelcir Tessaro (concorreu a vice de Manuela D’Ávila), e com o PPL, do Toni Proença. Esse último já tem uma posição quase final de vir para o governo.

 

E quais os nomes já definidos para o secretariado?

 

Só quem fala em nomes é o prefeito. Eu respondo todas as demais perguntas... (risos) Nem no PMDB falamos em nomes porque, quando falamos, sobe a temperatura. Há mais nomes que vagas.

 

O PMDB terá candidatura própria para o governo do Estado?

 

Sim, o PMDB terá candidato. Pela responsabilidade e experiência, já que fomos o partido que mais governou o Estado depois da redemocratização. Teve Simon, Britto e Rigotto de um total de oito governadores. O PMDB é muito forte no Estado e terá candidato. Queremos apresentar um projeto novo. Hoje não estamos na dianteira nem na educação nem na agricultura. Hoje, os governadores têm sido muito mais administradores de folha de pagamento do que outra coisa.

 

Quais os possíveis nomes?

 

Nomes não faltam. Para citar alguns, Rigotto, Sartori, Ibsen Pinheiro, Mendes Ribeiro Filho, Cézar Schirmer, José Fogaça, Alexandre Postal.

 

Você acompanhará de perto a implementação da Lei das Carroças, que prevê o fim desse tipo de veículo até 2016, um projeto de sua autoria?

 

Governar é transformar expectativas em realidades. Um governo deve governar para todos, mas especialmente para os que mais precisam. Sou um vereador de raras leis, mas tenho ojeriza a leis inúteis. Vou acompanhar de perto a implementação.

 

Em 2016, Fortunati não poderá concorrer. Há uma tradição aqui em Porto Alegre de o vice ser o candidato natural à sucessão. O senhor será candidato a prefeito em 2016?

 

Natural em sucessão é só iogurte (risos). Não é hora de falar disso. Quero descer as escadarias do Paço Municipal em 2016 ao lado do prefeito com, no mínimo, a mesma aprovação com que fomos eleitos. O processo de 2016 é muito distante. Agora, vou me dedicar a ser vice e à eleição de 2014. Depois o partido aqui em Porto Alegre vai ter que costurar o seu papel para 2016. Nossa aliança está fazendo bem para Porto Alegre.   

 

Conheça o vice-prefeito eleito de Porto Alegre

 

Sebastião de Araujo Melo, vereador do PMDB: Advogado, formado pela Unisinos, tem 54 anos. Está no terceiro mandato, foi presidente da Câmara de Vereadores por  dois anos. Nasceu no interior de Goiás, onde foi lavrador até os 15 anos. Está na capital desde 1978.

 

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