Romero Jucá vai se licenciar do cargo

Ministro do governo Temer sugeriu "pacto" contra a Lava Jato

Romero Jucá (PMDB-RR), ministro do Planejamento do governo interino de Michel Temer (PMDB), anunciou que irá se licenciar do cargo nesta terça-feira (24).

O anúncio foi feito logo após gravações obtidas pela Procuradoria-Geral da República apontarem que o ministro sugeriu um pacto para deter a Operação Lava Jato. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, o diálogo do peemedebista foi mantido com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em março - antes da votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

Na época, Machado estava procurando líderes do PMDB porque temia que as investigações contra ele fossem enviadas do STF (Supremo Tribunal Federal) para o juiz Sérgio Moro, em Curitiba. Em um dos trechos, o executivo afirma a Romero Jucá que "o Janot está a fim de pegar vocês e acham que sou o caminho; o caixa dois de vocês".

Na conversa, Romero Jucá sugere a necessidade de uma resposta política para evitar que as investigações chegassem ao juiz Sérgio Moro. "Tem que mudar o governo (de Dilma para Temer) para estancar essa sangria", declarou.

Áudio revela conspiração de Romero Jucá. Veja: 

Jucá, que também é senador eleito por Roraima, é suspeito de pedir R$ 1,5 milhão à construtora UTC, para a campanha do filho – ele nega. O dinheiro seria uma contrapartida pelo contrato obtido para a construção da Usina Nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro.

Já o ex-presidente da Transpetro é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) ao lado do presidente do Senado, Renan Calheiros. Sérgio Machado teria entregue R$ 500 mil ao ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. 

Ministro nega interferência nas investigações

O ministro negou que tenha tentado obstruir as investigações da Operação Lava Jato. “Nunca cometi e nem cometerei qualquer ato para dificultar qualquer operação, seja Lava Jato, ou qualquer outra”, disse em entrevista coletiva à imprensa. “Da minha parte, sempre defendi e explicitei e apoiei com atos a Operação Lava Jato. A política terá uma outra história depois da Operação Lava Jato”.

Ouça a defesa de Jucá:

Gravação constrange aliados do governo

Aliados do presidente interino Michel Temer demonstram constrangimento com a revelação de que o ministro do Planejamento teria articulado uma tentativa de parar a Operação Lava Jato com o afastamento de Dilma Rousseff do Planalto.

O ex-ministro Ricardo Berzoini e o deputado federal Paulo Teixeira, ambos do PT, acusam o atual governo de usar o impeachment para tentar “fazer um acordo e paralisar a Lava Jato”.

Em contato com a BandNews FM, o advogado de Jucá, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que vai pedir acesso as gravações. Ele adiantou que não vê “nada comprometedor na conversa” do atual ministro do Planejamento com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, investigado na Lava Jato.

Segundo o defensor de Romero Jucá, o senador “foi provocado e apenas respondeu” os questionamentos.

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