Trump impõe tarifa sobre aço e alumínio e Brasil é prejudicado

Tributo sobre a importação do aço será de 25% e do alumínio de 10%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (8) um decreto impondo tarifas de 25% sobre a importação de aço e de 10% sobre a de alumínio, em uma cerimônia na Casa Branca. A tarifação entrará em vigor em 15 dias e não vale para o México e para o Canadá, que negociam com Washington uma revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta na sigla em inglês).

A medida de Trump é uma promessa de campanha do presidente para a indústria siderúrgica local. A decisão prejudica fortemente as exportações do Brasil, que é o segundo maior fornecedor em volume daquele mercado.

O principal argumento de integrantes do governo brasileiro e da indústria siderúrgica nacional para tentar livrar o produto nacional da limitação é que 80% do que o Brasil exporta para o mercado americano são produtos semiacabados de aço. Ou seja, são insumos para a própria indústria siderúrgica local, que Trump quer proteger. Além disso, dada a complementaridade das cadeias produtivas, o produto brasileiro não representa risco à indústria local, nem à segurança dos Estados Unidos.

Outro ponto levantado pelos brasileiros é que a indústria siderúrgica nacional utiliza carvão americano na sua produção. Ou seja, a restrição prejudicaria os dois lados do comércio.
Ao lado do vice-presidente, Mike Pence; do secretário de Comércio, Wilbur Ross; do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin e de trabalhadores metalúrgicos, Trump disse que a medida está sendo tomada para proteger a indústria americana. "Hoje eu estou defendendo a segurança nacional ao impor tarifas sobre aço e alumínio", disse. "A indústria de aço é vital para a economia; se você não tem aço, você não tem um país", acrescentou.

O presidente observou que "os países que nos tratam bem serão tratados com justiça", sugerindo que negociações poderão ser feitas caso a caso. Ele citou a competição injusta da indústria metalúrgica da China, da Índia e do Japão, que tarifam produtos americanos e fabricam automóveis baratos que prejudicam montadoras americanas, aproveitando-se de vantagens injustas.

Como sempre, o líder americano reclamou dos déficits comerciais que seu país amarga com outras nações e disse que essa situação terá um fim. "Nós só queremos justiça". "Queremos acordos que sejam justos e recíprocos", afirmou.

Sobre o relacionamento com o governo chinês, Trump disse que tem uma boa relação com Pequim e elogiou o presidente Xi Jinping. No entanto, ele disse que o desequilíbrio comercial entre os dois países não será mais tolerado".

Apesar de isentar seus vizinhos, México e Canadá, da tarifação, Trump condicionou a isenção ao fechamento de um acordo sobre o Nafta. Ele alertou que se um bom acordo não for firmado, esses países também serão tarifados.

Segundo o republicano, todos os presidentes americanos entendiam da necessidade de se ter uma base industrial independente e comentou que embora os políticos soubessem da "situação injusta do seu país" na questão comercial, "nada foi feito até agora".

Ao convidar trabalhadores metalúrgicos para deporem sobre a situação da indústria, que segundo Trump está em declínio no país, o presidente disse que o aço americano tem qualidade superior e convidou todas as empresas a comprarem aço americano.

Apesar da imposição de tarifas, Trump enfrenta a oposição de vários republicanos. Nesta semana, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Gary Cohn, renunciou ao cargo. Ele se opunha ao plano de tarifação.

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